terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Taekwondo de Rio Piracicaba: Conquistando muito mais que títulos

O site "Império" valoriza quem realmente merece.
De algum tempo para cá, eu, Aleksandro estive observando o trabalho e os frutos do trabalho de uma pessoa aqui em Rio Piracicaba que, apesar de estar recebendo um pouco mais de apoio e incentivo ultimamente, ainda não os recebe como merece.
Essa pessoa é o Delman, professor de Taekwondo.
Em uma conversa informal, percebi o carinho que ele tem pelo que faz e para com seus alunos. Daí resolvi convidá-lo a conceder uma entrevista ao site "Império". Ele aceitou e me falou de sua história, das dificuldades enfrentadas pelo Taekwondo em nossa cidade, das conquistas, do trabalho social e das metas a alcançar.
Foi bem bacana, confira a entrevista abaixo:

Como tudo começou?

Delman: Comecei no Taekwondo há aproximadamente 30 anos atrás, com o mestre Lee, um dos pioneiros do esporte aqui em Minas.
Depois de 8 anos me formei em faixa preta.
Vim para Rio Piracicaba em 1999. Em 2001, houve uma divisão na federação e nisso eu sai do mestre João Celso, que foi com quem me formei e voltei para o mestre Rogério que foi meu primeiro professor e uma pessoa que até hoje me ajuda demais.

O que te levou a começar esse trabalho com crianças e jovens?

Delman: Desde quando me formei e tive minha primeira academia lá em Belo Horizonte ou mesmo quando trabalhava com o mestre João Celso, já gostava de ensinar. Depois fui pegando gosto por ensinar principalmente crianças.
Tanto que mais de 70% de meus alunos em BH eram crianças, inclusive com crianças da APAE
Gosto demais, demais de crianças. É onde a gente vê o trabalho aparecer, pois o adulto, com o tempo tem mais facilidade de se desmotivar, até pela correria do dia a dia.

Para seu trabalho alcançar o nível atual, houveram muitas dificuldades?

Delman: Aqui em Rio Piracicaba foi mais questão das pessoas acreditarem no Taekwondo.
Teve todo um processo. De apresentar o esporte, conquistar a confiança, etc. Mas eu sou uma pessoa que gosto muito de pesquisar, me manter atuallizado sobre tudo que é necessário passar para o atleta.
Curioso é que, desde a primeira vez que saímos daqui para uma competição, nunca voltamos sem medalhas.
A primeira vez foi em meados de 2000, na Quarta Brigada do Exército, em BH. Fomos para a competição com quatro atletas e conseguimos três medalhas, inclusive uma de campeão.
Daí, assim como eu fazia quando trabalhava em BH, comecei a focar meu trabalho com crianças aqui também. Depois veio a parceria com a prefeitura, para dar aulas em escolas, logo comecei a trabalhar na escola do Córrego São Miguel, onde vi que é um celeiro de atletas.

Sobre o trabalho social

Delman: Acredito que seja o mais importante.
A medalha é importantíssima para o atleta, para a divulgação do trabalho, para a divulgação do município, etc. Inclusive Rio Piracicaba é reconhecida no Estado como uma cidade que tem Taekwondo de boa qualidade. Mas o lado social é muito importante, pois a sociedade não quer saber se você chuta 1, 2 ou 3, ela quer saber de seu comportamento, sua educação. E é isso que eu tento passar para os alunos.
E isso o aluno começa a visualizar desde o primeiro dia que vai à academia.
Alguns professores já me falaram que reconhecem quem é taekwondista só pela postura, pelo jeito de falar e tal. Isso é muito gratificante.

É difícil conseguir formar esses bons exemplos?

Delman: Bom, primeiro é preciso querer. Na fase de 13 a 15 anos é complicado, pois nessa idade o jovem começa a pensar que já é dono do próprio nariz.
Nada impede, mas o ideal é a criança começar no Taekwondo mais cedo, por volta dos 4 anos de idade. Assim, quando chegar nessa idade de 13, 14 anos ela já terá um padrão de comportamento.
Dentro do Taekwondo, o respeito, a hierarquia, o carinho de um para com o outro é base. Não existe aquilo de chamar de apelido, falar palavrão, etc. E isso esperamos que eles (os alunos) levem para a vida toda.

Qual foi o maior aperto que você já passou por falta de patrocínio?

Delman: Em 2003, o Brasil Open ocorreu em Betim.
Nos corremos atrás de ajuda para fazer as inscrições, para a viagem, hospedagem e tal. Só que em cima da hora faltou a Van. Tivemos que conseguir com a prefeitura de João Monlevade.
E, o aluno tem também que arcar com a despesa de alimentação. Quando chegou em Betim, descobri que teve aluno que levou duas maças para ficar dois dias lá. Mas agente deu um jeito e os resultados vieram.
Me parece que foram oito atletas e conseguimos seis medalhas.
Isso serve até de motivação, mas ás vezes a competição fica desigual, pois um atleta vai passando o maior sufoco e o outro tem toda tranquilidade para se concentrar, não só no Taekwondo, mas em qualquer esporte.

Atulamente, quais dificuldades o atrapalham a desenvolver um trabalho ainda melhor?

Delman: Eu acho que desenvolvimento vem com participação.
Participação em quê?
Cursos, seminários, exame de faixa, competição, intercâmbio, etc.
E isso, na maioria, tem-se que pagar a inscrição, que é individual e tem algumas coisas que são por equipe.
Hoje, graças a Deus, eu tenho o apoio da prefeitura pra viajar. O que diminui um pouco o investimento dos pais. Mas a tendências, com os resultados, acredito que as coisas melhorarão bastante.
Quanto mais se participa, mais se desenvolve.

Sobre a falta de reconhecimento

Delman: Me lembro de uma vez que a gente precisava completar o valor pra viajar e quando pedimos ajudar a um comerciante, ele nos falou que não iria judar porque isso era coisa de vagabundo. Ele nem parou pra pensar o que é, quanta gente é favorecida com o esporte, o quanto ajuda na família e na educação da pessoa.
O menino se sentiu muito pra baixo, veio chorando e tal.
Infelizmente ainda existe esse tipo de mentalidade.
Eu já estou acostumado, já tenho 30 anos no taekwondo, mas e quem está começando agora?

Sobre os sonhos, metas para o futuro

Delman: Particularmente, é formar pra mestre em 2012. E com isso eu teria mais autonomia na federação, mais facilidade para promover eventos, eu mesmo poderia avaliar meus alunos, etc. Esse é meu sonho particular.
Para o Taekwondo daqui, é formar mais faixas pretas, tentar trazer mais crianças e adolescentes para o Taekwondo, divulgar mais o esporte e, em termos de conquistas, até para divulgar mais a cidade, é ter alguém na seleção.
E tenho um objetivo, que é ter alguém na seleção em 2016. E tenho atletas que estão caminhando pra isso.
Sei que antes disso, tenho degraus a subir. E por eu falo, o apoio não pode ficar só aqui. Tem que ser gradativo, mas focado numa coisa lá na frente.
Eu gostaria que os pais participassem mais, procurassem saber qual o objetivo do Taekwondo. Sinceramente, o objetivo que eu tenho com o Taekwondo é ajudar na formação da criança e do adolescente para ser uma pessoa melhor.


Acesse à algumas imagens do exame de faixa, realizado em Belo Horizonte no fim de 2011, onde os atletas piracicabenses Mike Silva , Mark D. Miranda e Pedro H. Pantuza mudaram para faixa preta no Taekwondo:




O site "Império" agradece a atenção do Delman, que se disponibilizou a conceder essa entrevista e deixa um convite:

Conheçam a Academia do Delman, na rua Duque de Caxias, 62 M, no centro de Rio Piracicaba.
E aos empresários, vereadores e outras pessoas, que valorizem, apoiem esse trabalho que, além de estar trazendo muitos títulos para Rio Piracicaba, ajuda na educação e formação de muitas crainças e adolescentes.